Simon diz que Sarney se afastar da presidencia do Senado seria ato de grandeza
Publicado em 20/04/2010
Fonte: Agência Senado
Autor: Simon em discurso pede o afastamento de Sarney
O senador Pedro Simon (PMDB-RS) pediu, na tarde desta quinta-feira(25), na tribuna do Senado, que o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), se afaste do cargo. Para ele, isso deve ser feito antes que sua situação fique "insustentável". O afastamento, de acordo com Simon, seria um ato de grandeza e não significaria uma confissão de culpa.
"Ele deve se afastar desse processo, para o bem dele, da família dele, da sua história e deste Senado. Não que a saída dele signifique autoculpa, signifique aceitar que ele é o responsável, pelo contrário, isso representaria um ato de grandeza", disse.
Na visão de Simon, como a crise vivida pela Casa está diretamente aos últimos 15 anos, em que Agaciel Maia foi diretor-geral, nada mais razoável que Sarney, homem que levou Agaciel ao cargo quando foi presidente do Senado, se afaste.
"É bom que o presidente Sarney largue a presidência do Senado, antes que sua situação na presidência fique totalmente insustentável. Ele tem que sair, essa crise dizem que vem de 15 anos", completou. "Há 15 anos foi o primeiro mandato do Sarney."
Para Simon, a crise do Senado só caminhará para um fim quando Sarney se afastar da presidência da Casa. "Faço um apelo para fazermos um movimento de endeusamento do Sarney, desde que seja fora da presidência. Se ele renunciar, isto termina hoje", afirmou. "Isso só para se der ao Sarney o direito que ele tem de respirar tranquilo."
Simon lembrou das diversas denúncias da imprensa que falam sobre o presidente e sua família. "Já teve mordomo que ele diz ser motorista, a imprensa diz que ele é mordomo. Agora é um neto, que vi pela biografia, é gente de dar até inveja cristã, parece ser uma pessoa fantástica", declarou. "A biografia do rapaz é espetacular, mas se formos apurar (...), não é bom que o avô esteja na presidência, não é interessante pra ele."
O pronunciamento ocorre por conta da denúncia de que o neto de Sarney, José Adriano Cordeiro Sarney, seria sócio de empresa que trata de intermediação de empréstimos consignados para os funcionários da instituição.
O jornal O Estado de S.Paulo afirmou que José Adriano faria parte de um esquema irregular de crédito consignado pelo Senado, sendo inclusive investigado pela Polícia Federal (PF).
Segundo o jornal, o neto de Sarney teve autorização de seis bancos para atuar em empréstimos consignados que são descontados direto na folha de pagamento dos servidores. O faturamento da empresa de José Adriano seria menor do que R$ 5 milhões, afirmou o Estado.
A Sarcris atua em parceria com os bancos HSBC, Fibra, Daycoval e CEF. A Finasa e o Banco do Paraná também atuaram com a empresa, mas cancelaram a parceria, informou a publicação.
O presidente do Senado disse que seu neto é uma "pessoa extremamente qualificada, com mestrado na Sorbone e pós-graduação em Harvard". Na visão do parlamentar, os esclarecimentos prestados por seu neto são "suficientes para mostrar a verdadeira face de uma campanha midiática para atingir-me, na qual não excluo a minha posição política, nunca ocultada, de apoio ao presidente Lula e seu governo".
A exemplo do que fez o avô ao responder a denúncias de irregularidades citando seu passado, Adriano falou de seu curriculo dando a entender que, se obteve significativos lucros financeiros, foi por mérito de sua carreira e não por favorecimentos indevidos.