Poupança bate em 1 ano a maioria dos fundos em aplicação de R$ 10 mil. Veja
Publicado em 20/04/2010
Fonte: Terra Economia
Autor: As moedinhas guardadas fazem a diferença na caderneta de poupança
A queda estimada de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic) a ser anunciada nesta terça(21), a 8,75% ao ano, deve afetar ainda mais o desempenho dos fundos de investimento, que já apresentam menor atratividade que a poupança.
Em uma simulação feita por economistas, a aplicação mais popular do País teve rentabilidade maior, nos últimos 12 meses, que a maioria dos fundos dos quatro maiores bancos brasileiros que aceitam aporte mínimo entre R$ 5 mil e R$ 10 mil.
Pelo cálculo dos últimos 12 meses, apenas dois dos fundos pesquisados - Caixa FIC Absoluto RF Longo Prazo e Bradesco FI Dívida Externa - bateram a rentabilidade da poupança. Outra aplicação que levou vantagem sobe a caderneta foi o Certificado de Depósito Bancário (CDB).
Para o cálculo foi levada em conta a rentabilidade informada pelos bancos que administram os fundos, a da poupança (fornecida pelo Banco Central para o aniversário no primeiro dia útil de cada mês) e o indexador do Certificado de Depósito Bancário (CDB) - o Certificado de Depósito Interbancário (CDI) - que também foi fornecido pelo BC. Em todos os casos, o período considerado foi de julho de 2008 a junho de 2009.
Para uma aplicação de R$ 10 mil, a poupança rendeu R$ 798,85 - que é líquida, pois sobre a aplicação não há a cobrança de impostos.
Entre os fundos o Caixa FIC Absoluto RF Longo Prazo rendeu, nas mesmas condições, R$ 1.059 e o Bradesco FI Dívida Externa deu retorno de R$ 1.814, já descontados em ambos os casos a taxa de administração e o Imposto de Renda.
No caso do CDB, o cálculo foi feito levando em conta um rendimento pré-fixado de 90% do CDI (papéis utilizados em empréstimos entre bancos). Segundo o diretor da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Andrew Storfer, este é o percentual razoável que o investidor pode conseguir com uma aplicação de R$ 10 mil em CDB. Na simulação, a rentabilidade líquida estimada com este tipo de aplicação foi de R$ 886.
Taxa de administração
O executivo da Anefac explica que a cobrança da taxa de administração dos fundos de investimento é feita diariamente. Ou seja, a taxa anual é dividida pelo número de dias úteis do ano e cobrada diariamente.
Para o cálculo feito pelo Terra foi levada em conta a incidência da taxa de administração sobre o capital investido e o rendimento.
Passado e não futuro
Os cálculos feitos pelo Terra apontam uma variação do passado, em condições diferentes das que o investidor vai encontrar nos próximos 12 meses. A intenção é fazer com que o interessado analise as taxas de administração e os impostos no momento de decidir em qual modalidade aplicar seu dinheiro.
Vale lembrar que até mesmo a poupança deve ter daqui para frente uma variação menor que a verificada no último ano. A aplicação mais popular do País tem seu rendimento fixado em 0,5% ao mês + Taxa Referencial (TR), que é calculada pelo BC e acompanha, de forma geral, o comportamento da taxa Selic.
A redução da Selic neste ano também irá o valor da TR, além dos fundos indexados ao CDI.
Poupança na mira do Fisco
Com objetivo de controlar uma possível debandada de investidores dos fundos para a poupança, o governo anunciou, em maio, planos para taxar pelo Imposto de Renda (IR) os rendimentos da caderneta.
As medidas ainda precisam ser aprovadas pelo Congresso e entrariam em vigor no dia 1º de janeiro de 2010. O plano inicial é taxar somente o lucro obtido com valores aplicados que ultrapassem R$ 50 mil por investidor. Outro fator seria o percentual do lucro obtido que seria tributado, que, dependendo da Selic, pode variar de 20% (quando a taxa básica estiver de 10,5% até 10%) até 100% (com Selic menor que 7,25%).
A renda anual do contribuinte também influi no cálculo do imposto a ser pago. Isto porque a alíquota do imposto a ser aplicada sobre o lucro da poupança depende da faixa do IR em que o contribuinte se encontra.
Para 2010, a tabela do imposto prevê isenção para quem tiver renda de até R$ 17.989,80; alíquota de 7,5% para a faixa entre R$ 17.989,80 e R$ 26.961,00; 15% para a faixa entre R$ 26.961,00 e R$ 35.948,40; 22,5% para a faixa entre R$ 35.948,40 e R$ 44.918,28; e 27,5% para quem recebe anualmente mais que R$ 44.918,28.
Caso a nova tributação sobre a poupança seja aprovada, o contribuinte terá que aplicar o percentual sujeito a tributação de acordo com a Selic do momento, somá-lo a sua renda anual e depois submetê-la a tabela do IR para saber qual o valor deverá pagar à Receita Federal.