"HANSENÍASE: Você pode ser um contato". Procure uma Unidade de Saúde e faça seu exame de pele. 30 de Janeiro, dia mundial de luta contra a Hanseníase, Campo Novo do Parecis parceiro nesta luta.
Hanseníase. Informe-se!
Fonte: Enfermeira Gizelle Perin - Vigilância Epidemiológica, Secretaria Municipal de Saúde
Desde o início do século XXI, nos deparamos com diversas doenças, e cada vez mais são descobertas patologias dos mais variados tipos. Todavia, ainda existem algumas relacionadas ao tempo bíblico, que não foram extintas e com prevalência significativa em nosso país, como o caso da hanseníase, mais conhecida como lepra.
Ao fazer uma retrospectiva da história da Hanseníase no Brasil, descobriu que os primeiros casos notificados da doença foram em 1600 e somente dois séculos depois é que o Governo Colonial, por ordem de D. João V, tomou as primeiras iniciativas, com a regulamentação do combate à doença. Contudo, as ações realizadas restringiram-se à construção de leprosários e a uma assistência precária aos doentes. Somente ao final do século XIX e começo do século XX, é que foi dada mais atenção a esta patologia.
Diante do estigma deixado pela sua história, com a evolução da ciência e das pesquisas, a hanseníase é conceituada hoje como uma doença infecto-contagiosa, de evolução crônica granulomatosa, causada pelo agente etiológico Mycobacterium leprael, chamado bacilo de Hansen. Esta denominação se deve ao pesquisador Gerhard Armauer Hansen (1841-1912), médico norueguês, que descobriu a bactéria em 1873.
Cabe ressaltar que o controle da endemia da hanseníase está fortemente ligado ao paciente em identificar os sinais e sintomas, ao diagnóstico tardio e à dificuldade de adesão ao tratamento, uma vez que a pessoa infectada pelo bacilo de Hansen, contagiante, representa a fonte de transmissão do bacilo que é agente etiológico da patologia.
A hanseníase é prevalente no Brasil, constituindo um sério problema de saúde pública. Esta doença possui evolução lenta, atingindo o sistema tegumentar e, principalmente, o sistema nervoso periférico. Pode acometer os vasos sanguíneos e linfáticos, glândulas, órgãos internos, aparelho locomotor, cavidade oral, olhos, nariz, entre outros. É uma enfermidade curável e quanto mais precocemente diagnosticada e tratada mais rapidamente o paciente é curado.
A transmissão do bacilo de Hansen ocorre de pessoa a pessoa, através do contato íntimo e prolongado de pessoa sadia com sujeito portador da doença, sendo a principal via de eliminação do bacilo o trato respiratório (fala, tosse, espirros ou até mesmo aos respirar) e é a porta de entrada mais provável no organismo do indivíduo passível de ser infectado.
As pessoas que residem no mesmo domicílio do indivíduo doente e sem tratamento ou que tenham contato de forma íntima são mais suscetíveis a contrair Hanseníase. Destaca-se que o contato sexual não transmite a doença.
O período de incubação do bacilo de Hansen é de 02 a 07 anos, todavia existem referências de períodos mais curtos, como sete meses, como também de mais de dez anos; sua taxa de morbidade no Brasil é de 4,5 casos, em média, dependendo do Estado da Federação, podendo chegar até 20 casos, como nos Estados do Mato Grosso, Rondônia e Amazonas.
O tratamento de Poliquimioterapia – PQT, existente na atualidade para os doentes hansênicos, surgiu pela primeira vez por um grupo de estudos sobre a quimioterapia da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1981. O tratamento instituído com PQT teve boa aceitação pelos pacientes com tolerância aos medicamentos, sendo, ao mesmo tempo, efetivo, curando-os e interrompendo o ciclo de transmissão da doença.
Ao iniciar o tratamento medicamentoso com quimiterápicos o paciente deixa de transmitir a doença, isto se deve as primeiras doses da medicação que matam os bacilos de hansen, tornando-os incapazes de infectar outras pessoas, rompendo assim a cadeia epidemiológica e curando o indivíduo.
A PQT auxiliou no tratamento das pessoas com hanseníase, reduziu-se consideravelmente a prevalência da doença no país, entretanto, outros problemas foram e são identificados para a eliminação da Hanseníase, como por exemplo, a alta prevalência de casos ocultos.
O tratamento para hanseníase é gratuito, pode durar de 06 a 12 meses e é realizado na Unidade Básica de Saúde, pelo Sistema Único de saúde - SUS.
No momento atual, a hanseníase é uma doença de notificação compulsória em todo o território nacional, realizado no nível municipal pela Vigilância Epidemiológica, como ocorre em Campo Novo do Parecis; e o seu controle é feito pela ficha de notificação do Sistema Nacional de Agravos Notificáveis - SINAN, que subsidia a construção de importantes indicadores de saúde. O SINAN é a única forma oficial de dados para avaliação e acompanhamento das intervenções do Programa de Controle da Hanseníase no Brasil, onde é enfatizado a efetividade da terapêutica e o monitoramento da prevalência da enfermidade.
Entre 2001 e 2010, Campo Novo do Parecis/MT notificou 314 casos de Hanseníase, destes 20 casos foram no ano de 2010. Salienta-se que muitos casos notificados de Hanseníase são provenientes de outras regiões do país, devido à alta migração existente em nosso município.
FIQUE ATENTO aos sinais e sintomas:
N Sensibilidade alterada, principalmente para quente e frio;
N Aparecimento de manchas esbranquiçadas e avermelhadas insensíveis ao toque e com diminuição do suor;
N Perda completa do tato em áreas do corpo;
N Diminuição de pêlos.
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