"E livrai-nos do mal" - Crônica vencedora da Olimpíada de Língua Portuguesa deu medalha de ouro à aluna Giulia da Escola Municipal 04 de Julho
Fonte: Alessandra Costa Marques/Comunicação/Prefeitura
Autor da Foto: divulgação escola
Giulia Martins Vilela Silva, aluna da Escola Municipal 4 de Julho, de Campo Novo do Parecis, venceu recentemente em São Paulo, a 5ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro, e trouxe para o município a medalha de ouro.
Em sua na crônica, com o título "E livrai-nos do mal", Giulia descreveu um assalto que sofreu dentro de uma igreja na cidade onde mora.
Conheça a crônica que deu a aluna medalha de ouro na 5ª edição da Olimpíada de Língua Portuguesa.
"E livrai-nos do mal"
Você com certeza já ouviu falar do Velho Oeste. Cidades inóspitas, com ruas desertas, poeirentas, marcadas principalmente pela carência da lei. Lugares, onde aconteciam combates armados ou não, brigas de bar, assassinatos banais, entre outras calamidades. Você pode até achar que isso é coisa do passado, mas é porque não conhece a minha cidade.
Aqui tem Fórum, Ministério Público, Polícia Militar, Delegacia Civil, entre tantos outros órgãos que trabalham pela segurança e ordem pública, no entanto, nada tem sido suficiente para controlar as ondas de assaltos desmedidos que assolam esta cidade. São inúmeros e dos mais variados graus, oscilando desde o embaraçoso ladrão de galinhas, que já nos dizia Rui Barbosa, a homéricas organizações criminosas, com sugestivos nomes ligados ao cangaço da clássica obra Os sertões, de Euclides da Cunha.
Ultimamente, nada tem escapado aos ataques da bandidagem. E nós, mocinhos da história, vivemos presos, trancafiados em nossas próprias casas com medo de sermos o próximo alvo desses impiedosos vilões. Acha que estou exagerando? Você irá mudar de ideia num piscar de olhos, quando eu te disser que num prazo de seis meses roubaram em plena luz do dia, com fortes armamentos, bancos, correios, metade do comércio, fazendas, além de incontáveis celulares nas portas das escolas.
Mas nada poderia ser pior que o último acontecimento. Eis que numa noite, estávamos na igreja, o único lugar desta cidade onde achávamos que reinava a paz, fazendo as tradicionais novenas de Páscoa. Como sempre, minha mãe chegou cedo e se colocou lá na frente. Eu, mesmo entediada de ir pelo sexto dia consecutivo, estava lá, com toda força, foco e fé.
Lá pelas tantas, percebi que algumas pessoas começaram a elevar a voz e colocaram as mãos para cima. Como a igreja estava cheia, imaginei que fosse o fervor da oração, que empolgava os cristãos e assim se exaltavam no louvor. Cheguei a pensar: “Que bom que há tantos incansáveis e veementes fiéis”, comecei a me sentir envergonhada da pouca crença que estava manifestando. Abaixei a cabeça e tentei me concentrar. Afinal, aquelas pessoas precisavam de muita paz para receber as vibrações celestiais.
Ledo engano! Só descobri o que realmente estava acontecendo, quando uns homens armados e com capuz no rosto se aproximaram. A adrenalina correu em minhas veias, meus batimentos cardíacos se tornaram audíveis, agarrei-me a minha mãe como uma criança indefesa. Agora todas as orações que havia aprendido na vida saíram da minha boca em um sussurro, como uma suplica para que tudo acabasse bem, pediram tudo que tínhamos. Lá se foram correntes de ouro, celulares, e até os terços. Dá pra acreditar?! E como comumente ocorre, os ladrões saíram ilesos.
Foi o caos. Ficamos perplexos. Até a igreja? Este lugar sagrado, que havia ser usado para confessar os pecados? Agora é lugar também de cometê-los? É mesmo a barbárie.
No momento, você deve estar pensando que vivo numa cidade grande, daquelas de noticias apavorantes de televisão. Mas não! Minha cidade é pequena, afastada dos grandes centros, mas como é conhecida por sua alta produção de grãos, ela chama a atenção de forasteiros que vêm assombrar e causar pânico ao povo judiado dessa triste realidade, que antes via apenas em filmes de faroeste.
E como nesses filmes, eles levam mais que nossos pertences, levam nossa dignidade, nossa segurança e nossa fé. Resta-nos apenas rezar, mas agora de portas fechadas.
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