Cidades de MT terão crédito de carbono, afirma pesquisador em Cuiabá. Veja
Publicado em 20/04/2010
Fonte: DC
Autor: Pesquisador preocupado com poluição na amazônia matogrosense
A Floresta Amazônica em Mato Grosso pode ser contemplada, a partir do ano que vem, com um dos projetos de sustentabilidade mais abrangentes do país.
É como anuncia o pesquisador João Andrade, diretor regional da Sociedade Brasileira de Economia Ecológica (Eco Eco), que até esta sexta(07) realiza em Cuiabá seu VIII Encontro nacional.
Na essência, o projeto aposta nas reduções tanto da emissão de gases do efeito estufa e de atividades como desmatamento e degradação progressiva. A idéia envolve a troca de créditos de carbono.
Trata-se de compensar financeiramente produtores agrícolas ou madeireiros de acordo com a redução dos danos causados à floresta. É um instrumento econômico para manter a floresta em pé, resume Andrade.
A implementação do projeto está sendo negociada com o governo do Estado, que buscará financiadores dos créditos de carbono nos próximos encontros mundiais com a temática de conservação ambiental. O principal é a Conferência sobre Mudanças Climáticas de Copenhagen (COP 15), em dezembro, na capital dinamarquesa.
Andrade aposta no potencial do projeto por já estar sendo idealizado com grande abrangência. Sete municípios do noroeste do Estado devem ser contemplados com o mercado de créditos de carbono. Nesta região de atividade madeireira, 80% da Floresta Amazônica ainda está em pé.
O potencial do projeto se mede inclusive pela comparação com atividades que já estão sendo desenvolvidas. No Amazonas, por exemplo, um projeto similar abrange apenas uma pequena comunidade. Além disso, conta o fato de que esta alternativa de sustentabilidade ainda é mundialmente incipiente, e aí Mato Grosso pode despontar.
RAZÕES - Também presente no Encontro, o pesquisador Philip Fearnside, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), aponta uma série de razões favoráveis para a política de créditos de carbono.
Primeiro, diz Fearnside, porque dá para ganhar dinheiro com isto, referindo-se à rentabilidade que o produtor de fato terá com a redução dos danos ambientais em Mato Grosso.
Isso revitalizaria a movimentação econômica, mas com sustentabilidade, em cidades marcadas pela exploração madeireira que a praticavam ilegalmente e foram prejudicadas por fiscalizações exemplo disso é Marcelândia (a 715 quilômetros de Cuiabá), que vive um verdadeiro marasmo econômico após a Operação Arco de Fogo, da Polícia Federal.
Além disso, o incentivo econômico é mais um dos fatores de incentivo à diminuição dos danos, o que tem de ser feito urgentemente a fim de evitar fenômenos naturais que comprometeriam seriamente o clima na região.