Aplicação de calcário na lavoura de Mato Grosso é reduzida em 25% Medida preocupa Sindicato
Publicado em 20/04/2010
Fonte: Assessoria
Autor: Aplicação do produto foi reduzida em 25%
O agricultor mato-grossense está aplicando este ano menos calcário do que o recomendado pelos técnicos. E o resultado, segundo os agrônomos, pode refletir na queda de produtividade na próxima safra, o ciclo 09/10.
Levantamento do Sindicato das Indústrias de Extração de Calcário de Mato Grosso aponta crescimento de 10,47% no volume de calcário aplicado em 2008 passou de 3,39 milhões de toneladas para 3,75 milhões de toneladas.
Mas, este ano, a aplicação já caiu 25% em relação ao primeiro semestre do ano passado, sinal de que o setor ainda não se recuperou da crise financeira. Por conta deste cenário, as indústrias estimam recuo no uso desta tecnologia até o final da safra, com o volume podendo despencar para 2,81 milhões de toneladas. O que confirmaria a queda de 25%.
A previsão preocupa os agrônomos no momento em que as máquinas trabalham a todo vapor no preparo da terra. Segundo o produtor e agrônomo Wagner Ortolan Júnior, sem a análise e a correção do solo é impossível ser competitivo.
"Para a agricultura se dar bem é preciso corrigir a acidez do solo. É o investimento que o produtor tira no primeiro ano com o aumento de produção", afirmou. O efeito residual no solo é outro fator compensador. "Após a primeira aplicação, o calcário garante proteção por mais quatro anos", aponta.
Em Mato Grosso, são 23 indústrias de calcário em atividade. A produção, devido à pequena demanda este ano, está abaixo das expectativas do setor e muito abaixo da capacidade de produção das indústrias, que trabalham atualmente com capacidade ociosa de produção acima de 40%.
Em 2004, o setor chegou a produzir 6,415 milhões de toneladas. Se o volume em 2009 cair para 2,81 milhões t, a queda no período será de 56,16%.
A presidente do Sindical, Kassie Regina Riedi Queiroz, lembra que devido às seguidas altas nos preços dos insumos utilizados pelas indústrias de calcário - como energia elétrica, óleo diesel e revestimentos metálicos, além do alto custo com a mão-de-obra e baixo preço de venda do produto adotado pela maioria das indústrias do Estado - o preço de comercialização chega muito perto do custo de produção do calcário. A nossa margem está quase zerada, estamos trabalhando no limite, afirmou.